sábado, 9 de fevereiro de 2008

Sobre as Paixões, Barbas e Cebolas

Não tem nada que eu odeie mais do que fazer a barba. Nada no mundo é pior!
Aquela ginástica elástica sincronizada olímpica perigosa e de potencial decapitador, a luta num tatame facial entre um rosto assustado, inocente e indefeso e uma lâmina fina, afiada, agressiva e cruel! Consegue pensar em coisa pior?!

Ah, eu consigo!
Cebola é pior. Eu "odeio mais" cebola.
Imagino o dia em que tiver que fazer a barba comendo cebolas... com certeza será o pior dia da minha vida!

Viagem? Não! Eu soube que os indianos fazem isso!
Pode ser besteira, boato, invenção, mas eu acredito! Eles fazem todo tipo de normalidade oriental/esquisitice ocidental. Você diria agora "mas os indianos nem fazem a barba!"; viu?! Essa é a prova cabal! A materialização da veracidade desta afirmação, argumento irrefutável! Quer evidência melhor? Oras, se não tivessem que fazer a barba comendo cebolas, fariam-na muito mais!

Pobres de nós, homens ocidentais, aprisionados nos grilhões da nossa cultura sanguinária. Não podemos libertar-nos destas amarras e quebrar o escravismo dos costumes; não podemos nos rebelar e, como os indianos, deixar de fazer a barba em protesto para nunca mais fazê-la comendo cebolas.
É deveras amargo o sabor dessa desventura bestial!
Quão doce seria o sabor da liberdade? O fim do infortúnio de fazer a barba comendo cebolas.

Agora você diria que estou sendo dramático...
Ok.. vamos tentar ver o lado bom...
Pronto!
Tentei!
Não vi!

O máximo que ouvimos sobre fazer a barba que inclui a palavra "bom", não passa de: "é bom fazer de cima pra baixo e depois de baixo pra cima" ou "é bom fazer depois do banho que os poros estão abertos". Balela! Não importa o quanto meus poros estejam abertos, a gilete, leia-se vilã açougueira insana mexicana, esforça-se em abri-los de novo por conta própria. Abre, corta, talha!
"O bom é fazer dia-sim-dia-não". Bom é não fazer.

E sobre cebolas? Uma coisa que tem cabeça; e que tem cabeça pra ter barba! Dá pra ser pior?!
Mas, comumente, ouve-se "cebola é bom antioxidante, antiinflamatório, antitumoral e até bom pro aparelho digestivo"; se você não quer dar trabalho pro seu aparelho digestivo, simplemente não coma. Agora, se você quer se salvar dos radicais livres, não se inflamar ou não ter um câncer, não precisa comer cebola, basta parar de respirar.

Também ouve-se "cebola é bom para o coração".
Ha Ha Ha! Nutricionistas mal-amados!
Cebola não é bom pro coração, uma paixão é que é bom pro coração! Uma paixão arrebatadora, entorpecente, desnorteante, que te deixe sem chão. Levemente intensa, sutilmente patológica.
Vamos lá, Dr Nutricionista! Chame seu amigo Dr Cardiologista e ofereçam ao coração uma cebola e uma paixão e vejam qual ele escolhe.

Definitivamente desdenharia o lúgubre sabor agridoce do bulbo barbado e se entragaria aos afáveis deleitosos delírios da paixão. É o que todo coração quer; não uma cebola, mas uma paixão. Uma paixão suficiente pra roubar a razão, pra permitir loucuras, pra perder o tino, cometer desatinos, capaz de revelar verdades melhores, de provocar tragédias e de salvar o mundo toda manhã, de mudar vidas , enfim, capaz até de levar qualquer homem a querer fazer a barba comendo cebolas na Índia.

(100000% verídico, fático e real (quem, em sanidade, discordaria?) - discussão ácida - censura por fazer)

2 comentários:

Farley disse...

E não é que concordo com você? Não sei quem inventou essas baboseiras sem sentido... E adorei o "gilete, leia-se vilã açougueira insana mexicana", hahaha, ótimo!
T+!

Bruna disse...

Fazer a barba é a depilação dos homens. E depilação é sempre ruim. SEMPRE!
Te aconselho o que me aconselham quando reclamo de depilação: depilação a laser. Será que funciona com barbas? Bem, acho que sim, o princípio é o mesmo.
E cebolas.. ah, eu gosto! ^^ Mas odiaria ter que me depilar comendo carne, por exemplo, se fosse uma questão obrigatória.
Beijos!