sexta-feira, 18 de março de 2011

Revival & Survival


Uhh! Milênios que não escrevo aqui!
Como o que motiva os textos deste blog são as intempéries diárias satirizadas pelo conformismo, hoje estou com material de sobra pra atualizá-lo.

“Atualizá-lo”? Oi?!
Se liga, a gente atualiza o que está desatualizado, não o que está morto!

Tá bom, gente, ele anda abandonado... Ok. Ok, ele estava praticamente morto. (revival!)
Então, como a Fênix, o blog volta das cinzas, do escuro, do submundo, do fim, do limbo, do mega-incrível show da Shakira em Brasília que não rolou... (survival!)

Eu não estou vendo grandes problemas no que aconteceu, e no que não aconteceu - o cancelamento do show durante o show, o no-show no show -, superei rápido. Mas teve gente mais sensata que eu que ficou bem pu**.

Cheguei cedo, antes da chuva, queria estacionar em um ponto bom, fácil de chegar no show porém fácil de sair no fim. Rodando com o carro, fui parar no estacionamento do outro estádio e um moço veio correndo me perguntar sobre aonde eu estava indo.
Eu: Estacionar?
E ele: Mas você veio pro show que todo mundo veio né? É ali, não é aqui. Aqui vai ser o “Encontro XXXXX” (não lembro o nome) “da Igreja XXXXX” (lembro menos ainda).

Será que de dentro do meu carro ele viu uma cruz de sangue na minha testa ou uma marca do anti-cristo pra saber que eu não estava indo pro tal encontro da tal Igreja?! Por acaso tinha água benta pelo chão que fervia quando meu carro passava sobre? Fugi.

Estacionei. O portão, que abriria às 15 horas, estava fechado. Já tinha uma fila quase imensa. Vi alguns adolescentes dançando Waka Waka no meio do povo, do lado da fila. Agradeci por não ser mais adolescente. Não estava legal...

Uma mulher fruta, vestindo vestido de seda curto, justo e colorido, que o bicho-da-seda mudaria de carreira se visse pra que usaram seu trabalho, e um salto fino e alto alto alto, que tirava fotos, foi quem deu o toque pros adolescentes pararem. Enfim, ela deve ter sensatez pra alguma coisa que não é roupa ou calçado pra ir em show, na pista.

Quando abriram-se os portões, lá pelas 17:30, fui abusado. Eu tinha uma chave num bolso, uma capa de chuva no outro, os documentos no outro e o celular no outro. O segurança apalpou-me atenciosa, minusciosa e demoradamente. Eu já estava nervoso esperando cães farejadores avançarem em mim. Eu já não sabia mais se era uma revista ou um exame de corpo de delito.

Lá dentro, peguei o melhor lugar! Se eu estendesse o braço, tocaria o palco avançado, e ainda havia um degrauzinho lá, das estruturas. Eu estava literalmente por cima. Certo momento alguém da organização cochichou no ouvido do segurança e percebemos que dizia que Shakira entraria por ali. Uau! Se eu esticasse o braço, tocaria o palco, se eu o dobrasse, daria uma chave de braço nela e não soltaria mais!

Correção: se eu esticasse o braço, ele seria arrancado pelos seguranças. Era muito perto mesmo.

Então começou a chover, eu e duas meninas que conheci ali começamos a nos proteger xingando o mundo e depois vestindo as capas; recomendo o segundo método, é mais efetivo.

Então entrou Chimarruts e falou “que beleza, a chuva veio abençoar esse espetáculo! Chuva abençoada!” Oi?!

Primeiro que eu não sabia que a vocalista da banda é a Geisy Arruda (veja aqui), segundo que “abençoada”?! Abençoada pra vc que não está aqui embaixo né, Geyse? Abençoada pra Noé, se ele lembrou de trazer a arca.
Ainda pede pra “Iemanjá mandar aquelas águas pra lavar toda a zica que houver”. Oi (II a missão)?!
Iemanjá? A rainha do mar? Será que você não errou de orixá? Tá bom, tá bom, era água pra caramba, mas era um dilúvio, não um tsunami, vinha do céu, não do mar.

Canta pra São Pedro, fióta, que, aliás, acho que não curte Shakira. Mas gosto musical não se discute, certo? Muito menos de alguém tão poderoso...

Falando em tsunami, certa hora alguém me fala “eles foram burros, fizeram o palco virado pra este lado, deviam fazer contra o vento, pro outro lado, pra não chover dentro”. Mas dá pra prever a direção da chuva, Rosana Jatobá?

Entretanto, uma coisa era fato: o palco realmente estava do lado errado. O terreno era inclinado, meio “descida”, e ele estava embaixo. Ou seja, pra quem estava atrás, todas as cabeças da frente iam tampar Shakira, pra quem estava na frente, na hora da chuva, toda a água, do lugar todo, descia pra lá. Não era enxurrada, era um tsunami. Trazia barro, relógios, celulares, chaves de carro, garrafas de água mineral, latas de refrigerante... e tudo ficava juntinho, acumulado nos pés do palco e nos nossos pés. Ah, o degrauzinho onde eu estava, não se via sob a enxurrada. Meus tênis? Bom... eu os amarrei bem.

Lembrei da mulher fruta de vestido de seda e salto alto alto alto, provavelmente incólume, com os pés intocados pela enxurrada, e concordei que ela ela sabia sim com que calçado ir a um show. Ela me parecia cada vez mais sensata.

Por fim, muito tempo depois, comunicaram o cancelamento do show devido a más condições climáticas. Eu diria ”devido a não ser em um lugar coberto.
Despedi-me das meninas, uma daqui, outra de Curitiba, de uns garotos de Brasília, do casal do Piauí, do pessoal do interior de Goiás, trocamos uns endereços de twitter e e-mail e fui embora resignado.

No carro, ensopado, tirando os sapatos, a capa de chuva e apurando o estrago do que havia no bolso, lembrei de duas coisas: que lá dentro eu até rezei pra parar de chover e do cara no estacionamento falando sobre o Encontro tal da Igreja tal , e pensei que devia ter parado por lá mesmo... Rezar por rezar, que pelo menos eu estivesse rezando seco.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Fossas do Ofício Papai Noel


Fala aí, Papai Noel, beleza?
É o Zeca, está lembrado de mim?

Acho que não! Afinal, tem anos que não passa por aqui...
Calma, calma, não se preocupe! Entendo que é um homem ocupado e tem lá seus compromissos importantes. Tenho o visto todos os dias naquele shopping, fotografando com aquelas crianças insuportáveis.
Também reconheço que não tenho honrado aquele pré-requisito de ser um bom menino pra ser merecedor da sua visita, mas eu tenho escovado meus dentes por horas milhares de vezes, depois de cada refeição, e a maldita fada dos dentes também não passou por aqui. Ou a maluca não sabe dirigir mesmo pra chegar aqui nessa biboca (como toda mulher) ou está mais ocupada por aí, se aplicando decalitros de silicone, colágeno e botox (como toda mulher).

Ops... autocontrole, ativar.

Pois é, retomando nossa conversar, eu não vinha sendo um bom menino, mas neste ano eu me esforcei! Se o que vale é a intenção, ôrra!, tu me deves um presente deveras caro. Bem sabe como é difícil pra mim.
Embora tenha me comportado, confesso que só passou pela minha cabeça o contrário. Conto inúmeras as vezes que quis incendiar o gato novamente. Posso até não tê-lo salvo quando a máquina de lavar ligou, mas... Também não coloquei tachinhas na cadeira de ninguém. Minha mãe disse que isso pode infectar pessoas com tétano. Passei a usar cacos de vidro devidamente lavados!
Está vendo? Além de não decepcioná-lo, ainda posso ser fonte de orgulho.
Tornei-me uma pessoa ambientalmente consciente. Fulano tacou latinha no chão? Leva latinhada na cabeça! Sim! Além de consciente, também passei a defender o meio ambiente! E passei a praticar esportes. Corri de muita gente que a latinha acertou de "mal-jeito".

Passei a alimentar meu cachorrinho quase todos os dias e meu peixinho quase toda hora. O cachorro cretino já se sustenta em pé por quase 2 minutos sobre as patas trêmulas e o peixe ridículo sumiu há alguns meses na água turva do aquário. Mas continuo alimentando-o de hora em hora.
Aliás, a água está com um cheiro meio ácido... meus olhos ardem quando abro a tampa pra jogar a comida... Desconfio que o peixe dissolveu...
Amanhã, vou por cloro.

Ajudei minha mãe com a louça durante todo o ano.
Como ela mesmo diz "muito ajuda, quem não atrapalha", então alimentava o peixe débil-mental desaparecido, de novo, enquanto ela arrumava tudo.

Não brigo mais na escola aqui perto de casa. Já na em que eu estudo...
Mas ainda considero que estou sendo um bom menino! Essas brigas são um trabalho social, essas pessoas precisam de um corretivo!
Também não brigo mais com meu irmão. Minha mãe disse que foi a gota d'água eu ter contado que é adotado. Porém, tenho notado evolução do seu estado clínico depois do choque... passaram-se só 9 meses e já está esboçando reações! Outro dia, o vi piscar! Acho que já vai me dar trabalho...
Trabalho social, claro.

Também não quebrei o vaso da sala, nem o vidro da janela, nem porta-retrato da vovó... É que o aquecimento global tem feito ventar muito por aqui.
Nem manchei a cortina do quarto e não grudei chiclete no carpete. Eu estava alimentando o peixe escroto quando essas coisas aconteceram.
Nem quebrei a cadeira da varanda (que a vovó sentou e caiu! hahahaha). Aliás, acho que foi a vovó que quebrou, pois vieram com uma conversa de que, no tombo, ela quebrou a bacia! Eu não vi bacia nenhuma! Pra mim que ela quebrou foi a perna da cadeira mesmo! E agora fica naquela cama dia e noite toda folgadona gemendo de dor ou fingindo de morta.

Olha, olha: não falo mais palavrões!
Só pra aquele peixe babaca dos infernos...
...ah, e pro meu irmão, enquanto ainda não piscava.

Fui à missa todos os finais de semana com minha avó, antes de ela inventar essa farsa de que não pode andar porque caiu da cadeira que eu deixei a perna manca (velha safada!), e sentei na primeira fila, de onde aquele coroinha maricas podia enxergar minhas caretas.
Como isso é ser um bom menino? Oras! Ele não tinha que "forçar as vistas" tanto quanto se eu me sentasse na quinta fila!
Além disso, levei o peixe retardado comigo na missa da multiplicação dos peixes. Foi uma missa muito curta... Sabe Deus que houve! Pessoas com crises de espirros, de tosse, asma e ardência nos olhos...

Minha mãe descobriu que levei, porque aquele peixe nojento deixou o bolso do meu jeans todo melecado e fedendo.
Mas "infinita é a misericórdia de Deus" e não apanhei porque chacoalhei o aquário e aquele peixe estúpido balançou lá no fundo, provando que estava vivo. Alimentei-o de novo e acho que foi quando desapareceu... Peixe idiota ingrato!
Juro que, quando achá-lo, vou colocá-lo na sopa da vovó e ensinar uma lição pros dois! Ops... quero dizer, prometo não fazer isso.

Não espalhei mais que minha professora tem pacto com diabo. Não zombo mais do bigode dela também.
Não jogo mais pedras muito grandes no filho nerd da vizinha.

Bom, como pôde ver, comportei-me como nunca e resisti às tentadoras oportunidades de por tudo a perder. Mesmo que queira julgar que não fui um bom menino, concordemos que deixei de ser mau menino e mereço sua visita com um generoso regalo.
Prometo não deixar bolinhas de gude espalhadas pelo chão da sala como naquele ano.
Ainda bem que o tio Oto que foi dar uma de papai Noel e se estabacou andando sobre as bolinhas antes que você chegasse, heim? Senão, hoje poderia ser o senhor naquela cadeira de rodas.

Feliz Natal!
Zeca

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Mercados x Nervos


O mundo enfrenta crise dos mercados e eu crise de nervos!
A coisa está mesmo russa!
E não é só na Rússia! Rússia, China, EUA, Japão, Alemanha, Europa toda...

É! Europa toda! Até a Suíça está abalada! Eu que jurava que a Suíça seria o único (Oi, Lula) país a sair ileso deste alvoroço, afinal, dinheiro não declarado, desviado, lavado, sonegado, ado-a-ado nosso dinheiro su-a-do (Oi, Maluf), não pode ser resgatado assim, logo hoje, de uma hora pra outra.
Se nossos poupadores (picaretas) resgatarem mesmo todo seu dinheiro aplicado em bancos suíços e isso voltar pro país, realmente estaremos vacinados contra a crise. É imensurável o que um acontecimento destes vai injetar de dinheiro na economia.

A gente quebra a Suíça, mas salva o Brasil.
A Suíça vai ficar pior que a Islândia! A Islândia, pobrezinha, colocada em leilão no e-bay. Economicamente, está mais que provado que não é uma aplicação rentável e, mesmo que tenha vista para Groelândia, Noruega e Reino Unido, quem é que vai fazer um investimento imobiliário agora?!?
Mas o Brasil vai ficar por cima da carne seca e dos orelhas-seca. Se o dinheiro entrar declarado então... A Receita Federal pode anistiar devedores passados e os que espera ter nos próximos 10 anos. A gente faz um buraco na Suíça e tampa até o buraco do INSS.
Bacen, libera o compulsório que o que vem chegando por aí cobre qualquer rombo que aparecer.

Aliás, buraco por buraco, mais uma vez lembrei daquela história que contam pra gente quando criança que diz que, se cavarmos um buraco muito fundo, vamos sair no Japão. Estou esperando a qualquer momento a bolsa de Tókio sair no meio da minha sala.
Pobre da Ásia, como são extremistas! Se é pra ficar bom, de cara já experimetam um crescimento vertiginoso e ameaçam grandes hegemonias se é pra balançar, registram desempenho negativo recorde!
As pessoas por lá vivem uma dobradinha tremores & temores: um dia acordam abalados por tremores de terra, no outro por temores de queda livre da bolsa.
Abalaram nossos papéis mais negociados aqui... Oh, saudade de quando o pior que a China podia fazer, pra mim, eram os Tamagoshis... De quando Japão explodia nos Changeman. Change, change, change!
Agora eu que vivo doido pra jogar uma pokebola explosiva na bolsa de Tókio.

Os EUA, um país impopular entre os outros países do mundo, com um presidente impopular, que fez um governo impopular, propôs um pacote de socorro impopular. Crise econômico-financeira nova, crise de popularidade antiga. Hugo e Evo saúdam a chegada dos EUA ao terceiro mundo!
Bin Laden, do fundo, da camada pré-sal de alguma caverna do deserto afegão deve estar explodindo (este, seu maior talento) de alegria.
Bush, Bush, Bush!

O que dizer da Europa?
Bem, quando dizem que todo velho é teimoso, têm razão (oi, velho continente!). A princípio, a UE se reuniu pra decidir não fazer nada (você já trabalhou em um lugar assim também?). Cometeram um lapso e provocaram um colapso.

Hoje especialmente, 20/10, as bolsas registraram índices positivos, mas é claro que a turbulência não parou, que a crise não acabou... eu que vou parando por aqui. Ao contrário do presidente (Oi, afeta, sim! Lu(la)nático!), vou recolher-me a minha ignorância, fazer um circuit breaker e parar de falar nisso.